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Memes que ganham eleições: o que mudou nas redes sociais?

Seja qual for o seu candidato e independente do seu posicionamento político, uma coisa todo brasileiro concorda: as redes sociais moldaram as eleições de 2018.

As redes sociais estão cada vez mais presentes na vida dos brasileiros. Uma pesquisa divulgada em fevereiro deste ano (2018), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que o Brasil encerrou o ano de 2016 com 116 milhões de pessoas conectadas à internet. Isso equivale à 64,7% da população com idade acima de 10 anos.

De acordo com essa mesma pesquisa, o celular é o principal meio de acesso à internet dos brasileiros, totalizando 94,6% dos internautas, ultrapassando o número de usuários de computadores (63,7%), tablets (16,4%) e televisões (11,3%).

Adivinha qual a finalidade de 94% desses acessos? Isso mesmo: trocar mensagens por aplicativos de bate-papo, podendo ser em forma de texto, áudio ou imagens.

E o que isso tem a ver com as eleições de 2018? Tudo!

Segundo pesquisa divulgada em 2 de outubro pelo Datafolha, contratada pela TV Globo e pelo jornal Folha de São Paulo, 61% dos eleitores do presidente eleito afirmaram que se informam sobre política pelo aplicativo WhatsApp. Dos eleitores de seu adversário do segundo turno, 38% fazem o mesmo. E uma grande parcela compartilha informações políticas na plataforma, 40% e 22% respectivamente.

Conforme dados da pesquisa, esses valores se mantiveram similares em relação aos demais concorrentes à presidência da república. Sobre os eleitores do candidato Ciro, 46% também leem notícias no aplicativo e 22% compartilham sobre política no WhatsApp. A porcentagem dos eleitores do candidato Alckmin é de 31% e 13%, respectivamente.

Terra de ninguém, medo de todos.

Manipular imagens, vídeos e áudios está cada vez mais simples de ser feito. Até os softwares complexos estão sendo simplificados em aplicativos leves e de utilização intuitiva para que o usuário possa manipular o que quiser e como quiser.

Assim surgiram os memes, parte engraçada de toda essa confusão que tivemos nessas eleições, e as fake news, que espalharam o medo em ambos os lados.

De acordo com psicólogos entrevistados pela nossa equipe, cresceu exponencialmente o número de reclamações em consultório sobre as eleições de 2018, principalmente sobre como as informações vindas pelo aplicativo WhatsApp estavam influenciando no bem-estar das pessoas. De acordo com estes, o pânico estava instaurado “nos dois lados”, se nos permitirem classificar desta forma.

Terra nem tão de ninguém assim.

Ao contrário do que muitos pensam, a internet não é “terra de ninguém”. A justiça brasileira já estava se preparando para esse boom das redes sociais com medidas sendo aprovadas já em 2017. A Lei 13.488 trouxe mudanças, novidades no campo do direito eleitoral, principalmente sobre os tópicos de propaganda e internet.

A propaganda eleitoral na internet é totalmente regulamentada. Possui data para início, as páginas dos candidatos e suas contas em redes sociais devem ser comunicadas à Justiça Eleitoral para que o candidato consiga fazer sua campanha e impulsionamentos de forma regular, entre outras inúmeras concessões.

Existe até uma multa que pode chegar até R$30.000,00 para os criadores de fake news, as famosas notícias falsas.

Mas o que aconteceu, então?

A verdade é que não é tão simples fiscalizar o que circula pela internet, principalmente pela rapidez com que as informações viralizam.

Assim que identificada alguma irregularidade, alguma fake news, a justiça começa suas investigações para saber o autor, a origem, que nem sempre são rastreáveis. Existem até informativos colocados no site do Tribunal Eleitoral desmentindo algumas notícias falsas, mas essas correções não viralizam tanto, deixando uma boa porcentagem de internautas ainda com a crença naquela notícia sem verdade alguma.

O que aconteceu nas eleições foi simples: uma utilização estratégica e aterrorizante das redes sociais – ao mesmo tempo.

Estrategicamente falando, as eleições 2018 trouxeram um case de sucesso das redes sociais. Um candidato eleito presidente da república com apenas 8 segundos de propaganda eleitoral na televisão, vindo de um partido pequeno, com apenas um representante na câmara federal e que agora conquistou 52 deputados eleitos, configurando a segunda maior bancada no Congresso.

Humanamente falando, temos uma população (aqui englobando todos os eleitores de todos os candidatos) que está crescendo exponencialmente em seu acesso à internet, mas que ainda não sabe utilizá-la com sabedoria, compartilhando de forma desenfreada textos, links, áudios e imagens sem antes checarem a informação.

Não há dúvidas que os memes, as redes sociais, venceram as eleições. Resta agora, aos brasileiros, descobrir como vencer as fake news.

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